terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Primeira Viajem: Minha Infância I - Inocência



Se eu tivesse um DeLorean e com ele pudesse ir em minha primeira viajem no tempo, voltaria lá na minha infância, na década de 80 ou início dos anos 90. Não sei bem em que ano, pois apesar das minhas lembranças serem muitas, precisaria definir exatamente onde algo aconteceu que até hoje possa estar refletindo negativamente no meu presente.

Meus pais saíram do interior de Goiás, um lugarzinho chamado "Gaiola" para Goiânia-Go mais ou menos no ano de 1985. Eram da área de Educação e foram para Goiânia depois que meu pai recebeu uma proposta de emprego para trabalhar em uma antiga Empresa de Laticínio chamada "Leite Donna". Eramos meu pai, minha mãe, eu e meus irmãos Marcos e Leila. Eu tinha uns 2 anos de idade, e por incrível que pareça, me lembro de ter estacionado na rua C-177 quando ela ainda era de terra, em um caminhãozinho baú e ali começou minha história de lembranças.

Apesar de eu ter me divertido muito ali com meu irmão e as crianças vizinhas, brincando de bola na rua de chão batido, de bete,  percorrendo o "Córrego Cascavel" em busca de girinos para criar até virarem sapos, ou procurando peixinhos para os engolir vivos com a ideia de que se fizéssemos isso aprenderíamos a nadar, foi naquele ano em que minha irmã mais velha namorou um rapaz que fazia parte de um fã-clube do Raul Seixas que eu comecei a mudar (Acho que em 1988) e isso ainda reflete em mim ainda hoje, eu os admirava muito. Jovens rebeldes, fumavam, bebiam, ouviam músicas altas, com cabelos compridos ou estilo "aerodinâmicos". Ouviam Raul Seixas, Cazuza, Engenheiros do Havaii, Dire Straits, Queen e realmente, aquilo me chamava muita atenção e eu admirava aqueles jovens, queria ser igual a eles quando crescesse. Talvez eu tivesse uns 6 anos de idade, pois tenho recordações dos noticiários anunciando as mortes do Raul, Cazuza e depois Fred Mercury (sim é verdade, eu me lembro).

Minha infância foi bem legal, me diverti muito e vivemos um tempo de crescimento na educação bem importante pra mim hoje, mas algumas coisas aconteceram na minha casa e aquilo foi mudando aos poucos quem nós eramos como família. Meus pais começaram um processo de separação em 1990 ou 1991, e logo depois de termos realizado o "Sonho da Casa Própria", tivemos que nos mudar para a casa da minha Avó em Barro Alto-Go e na separação, meu pai foi pra outro canto, Inhumas-Go.

Foi muito difícil e confuso, eu não entendia bem o que estava acontecendo, afinal eu tinha 7 anos de idade e passamos 3 meses dividindo a casa com minha avó e depois nos mudamos para uma fazenda em torno de Petrolina-Go e ali minha mãe começou uma batalha, e lutou como uma grande guerreira, lembro do esforço dela, das noites chorando, da sua ausência, pois agora era ela quem tinha que trazer o pão, logo não sobrava muito tempo para educar, acompanhar na escola e assim acabou perdendo por algumas vezes o controle da situação. Vadiávamos muito naquela época, eu por exemplo, passava muito tempo correndo as fazendas a pé procurando um córrego para tomar banho, ia para a cidade e passava muito tempo nos fliperamas "sapeando" quem ia pra jogar, e quando queria jogar, era só roubar umas garrafas na casa de alguém e trocar em fichas. Matava aula para junto com alguns amigos, irmos até fazendas vizinhas para roubarmos galinhas e levávamos para nossas mães cozinhar, alegando que a mãe de um de nós é quem tinha mandado dependendo de onde íamos para comer. Roubávamos sacas de feijão durante as colheitas, e vendíamos nos armazéns para termos dinheiro para jogar fliperama, na época gostava muito e pra ser sincero, até hoje tenho vontade de ter um "Taito" em casa.

Passamos 1 ano em Petrolina-Go e logo em 1993 nos mudamos para Goianésia-Go, e lá comecei outra fase em minha formação, mas essa é uma outra história que contarei em outro capitulo, pois vai ser uma longaaa história de mais vadiagens, minha iniciação com bebida e drogas e então poderei relatar muitos arrependimentos, experiências que refletiram muito ao longo dos anos que se seguiram. Não culpo meus pais pela separação precoce e pelo que estava me tornando, afinal, imagino que exite um limite onde o melhor e tomar a decisão com menor consequência para o melhor de todos, e foi isso que eles fizeram.

Sobre este capitulo, não mudaria muita coisa além de poder ter sido um filho melhor e mais cúmplice do sofrimento da minha mãe. Quem sabe ter vadiado menos, não experimentar pegar dos outros aquilo que não me pertencia, pois fazendo isso, tive cada vez mais coragem e indiferença em fazer de novo.

Espero estar contribuindo com a formação e alegria de vocês filhos, durante a infância de vocês, principalmente sendo um pai presente, que zela por vocês, que acompanha e corrige em tempo seus erros, que ensina e mostra a forma certa de agir com vocês mesmos e com o próximo também.

Enquanto escrevo este texto Arthur, você tem/tinha 7 anos e meio, e você Davi 3, e posso ver a diferença na criação, na cultura, na sociedade, na política e em tantas outras coisas que poderia citar, e posso dizer com certeza, vocês são privilégiados! Deem valor no futuro e honrem sua mãe e seu pai, nós paramos com as nossas vidas, pelo bem da vida de vocês. Amamos vocês!


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